Ao abrir a prova aplicada na aula filosofia, uma das turmas do 1º ano do ensino médio de uma escola de Pedro Canário, no Norte do Espírito Santo, se surpreendeu ao ter que responder uma questão sobre a música "Lepo Lepo". Na questão, os alunos deveriam associar o trecho citado na avaliação a questões da sociedade no contexto atual. Assim como Valesca Popozuda em uma prova do Distrito Federal, o compositor da canção, o baiano Marcio Vitor, também foi citado como pensador contemporâneo pelo professor Maurício de Menezes Matos. A prova aconteceu nesta segunda-feira (4).
Para Maurício, não há motivos para que os alunos tenham se surpreendido, já que um método de ensino "inusitado" é uma característica já conhecida do professor. "Eu trabalho sempre com algo diferente nas aulas de filosofia e história. Uso novas tecnologias, crio paródias, organizo gincanas e falo de assuntos polêmicos para estimular o pensamento crítico deles", explicou.
Ainda segundo o professor, a escolha da música não teve a ver com o gosto pessoal dele, que mesmo sendo de Salvador, disse não ser fã do ritmo. "Nem gosto muito da música, mas está no dia a dia dos meninos e acabei utilizando, porque eles se identificam. Se eu colocar uma orquestra sinfônica, eles dizem que é coisa de velho, algo ultrapassado. Dessa forma eu tento me aproximar deles, diminuir essa distância entre aluno e professor".
Opinião:
De
certa forma seja música, filme, documentário ou ate mesmo textos de pensadores
qualificados como grandes mestres por terem feito algo inovador, tudo vai
depender de como é utilizado pelo professor em sala de aula, a forma como a
didática dele é aplicado é o que vale e o qualifica como bom ou bobo. Em todas
as partes podemos fazer analises profundas do tema seja qual for não precisa
ser surreal para ser intelectual basta ser compreendido o como deve ser feito.
Para dar uma pequena mostra de por que meu ponto de vista é favorável ao uso
dos temas atuais e letras atuais têm essa charge onde expõe a visão oposta ao
uso normal e coloquial de letras. Vale salientar que nem sempre o bem os
GRANDES MESTRES foram aceitos e entendidos, o futuro é quem fica responsável
por definir títulos finais.
Falando nisso:
Castro AlvesNão foi só a inspiração criativa, nem tampouco a forma vigorosa da escrita e muito menos a solidariedade para com um Brasil pouco compreendido. O que Jorge Amado buscou no poeta abolicionista Castro Alves foi um modelo narrativo para pensar o país, a partir dos tipos populares celebrados no século XIX em poemas políticos como Navio Negreiro, produzido em plena luta contra a escravatura.
Castro Alves orientou sua poesia para a luta política de libertação dos escravos tanto por sua origem negra, de onde herdou a cor mulata, quanto pela necessidade de produzir uma obra artística que tivesse o rosto do Brasil esquecido. Uma obra relatada nas praças públicas de Salvador, na Bahia, pelo jovem poeta que não se contentava somente em escrevê-la, mas divulgá-la aos quatros cantos da cidade para lembrar o sofrimento dos irmãos escravos. Uma luta que durou enquanto suportou a vida, já que aos 24 anos morreu tuberculoso, pobre e esquecido.
A força interior, a integridade e o reconhecimento de sua origem deram a Castro Alves o título do maior poeta político do Brasil do século XIX ao lado do escritor Machado de Assis, também mulato que, no entanto, escondeu o quanto pode a sua origem. Jorge Amado seguiu a trilha deixada por Castro Alves ao optar retratar os tipos populares a partir de categorias universais de criação, mas no ambiente específico da região. Jorge Amado deixou que sua obra fruisse espontânea, sem origem literária, apenas pautada pela vontade de expor o Brasil a nú, o Brasil contraditório, o Brasil dos preconceitos sociais, tal como fez Castro Alves.
Fontes:
http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/jorge_amado/castro_alves.html
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/06/lepo-lepo-vira-questao-em-prova-de-filosofia-em-escola-do-es.html


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