segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Industriais lançam estudo para influenciar a política educacional
CNI está determinada a influenciar mais os rumos das políticas educacionais no país Preocupada com a perda de produtividade do trabalho na economia brasileira e ciente de que a qualidade do ensino tem impacto em várias atividades, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) está determinada a influenciar mais os rumos das políticas educacionais no país e lança estudo com 11 recomendações que possam contribuir com um avanço da educação nacional. Em linhas gerais, a entidade defende uma educação pública mais alinhada com o mundo do trabalho - com ênfase na formação profissional e na retomada da produtividade e competitividade da economia - e gestão baseada em avaliação e resultados, inclusive aberta à meritocracia para professores, tema polêmico no setor. Entre outras sugestões estão a universalização da pré-escola, redução da desigualdade na educação e o fortalecimento do ensino médio, com maior oferta de cursos regulares e técnicos (oferecidos simultaneamente). As recomendações da entidade para a educação brasileira compõem um capítulo da compilação "Propostas da Indústria para as Eleições 2014", que será entregue aos candidatos à Presidência da República no próximo dia 20. O documento traz 42 estudos e sugestões com os principais temas da agenda da indústria para o desenvolvimento e crescimento do país nos próximos anos. Elaboradas em conjunto por dezenas de especialistas, consultores e representantes de associações setoriais da indústria e de federações estaduais, algumas das propostas serão apresentadas em formato de projetos de lei e atos normativos. Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da CNI, destaca que os empresários do setor industrial estão preocupados com a baixa produtividade do trabalho brasileiro. Dados do "The Conference Board", associação global de empresas, mostram que esse indicador cresceu apenas 5,6% no Brasil, entre 1980 e 2013. Já a economia chinesa, como comparação, registrou expansão de quase 900% no mesmo período. "Ainda mais preocupante é a constatação de que a produtividade brasileira se deteriorou em relação à de outros países", alerta Lucchesi. "Educação é hoje uma agenda que perpassa todas as demais, como macroeconomia, relações de trabalho, infraestrutura. Hoje no Brasil várias pesquisas indicam que as principais lideranças empresariais colocam a educação como um grande pilar, que pode substancialmente influenciar a retomada da competitividade e da produtividade." O cientista político Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede que reúne dezenas de grupos que atuam no setor, observa que é correta a vinculação das atividades escolares com o mundo do trabalho, conforme determinação do artigo 205 da Constituição. Ele alerta, porém, que pode ser ruim para o aprendizado forçar o debate que associa ensino com as demandas do mercado de trabalho. Segundo Cara, grande parte do setor industrial brasileiro aposta na estratégia "de oferta de subemprego" aos jovens. "Os empresários também têm que se responsabilizar e criar vagas qualitativas, não dá só para se preocupar em resolver o problema imediato deles. O problema da indústria brasileira não é só problema de formação educacional, um problema de Estado. E também diz respeito à baixa qualidade da visão empresarial, que pensa menos no país e mais no próprio bolso. Isso, inclusive, é uma questão que se resolve por meio da educação", avalia Cara. Na avaliação do professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), Ocimar Munhoz Alavarse, o excesso de foco no "mundo do trabalho" pode sugerir uma redução curricular. "É evidente que o mundo do trabalho - uma expressão bonitinha criada pelos ingleses - deve estar na escola, mas a escola não pode só ter perspectivas para o mundo do trabalho, porque o mundo é mais complexo do que as demandas produtivas do mercado", argumenta Alavarse. Pedagogicamente, diz ele, há um risco de se estabelecer relações de ensino e aprendizagem imediatistas. "Nas aulas ensinamos as crianças a escrever matérias de estilo jornalístico sabendo que a minoria da minoria serão jornalistas. O mesmo vale para artes plásticas e poesia. A princípio é difícil enxergar utilidade nessas matérias, mas elas são muito importantes. É compreensível que a CNI faça esse tipo de demanda, é até bom para mobilizar governo e outros atores para se começar um movimento mais amplo de revisão curricular nas escolas", complementa. Lucchesi conta que as recomendações da CNI convergem com 14 das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE), recém-sancionado pela presidente Dilma Rousseff. "Entre os pontos de convergência destaco as metas para ensino fundamental e médio e a expansão da educação profissional. Se conseguirmos triplicar as matrículas da educação técnica de nível médio, faremos uma alteração importante da matriz educacional e prepararemos adequadamente um contingente maior de jovens e de adultos para entrar no mercado de trabalho", projeta o diretor da CNI. O documento preparado pelo setor industrial também ataca os problemas de gestão da educação brasileira e sugere alocação de recursos orçamentários "com base em resultados e meritocracia". O documento diz que essa aposta, normalmente criticada por acadêmicos e sindicatos de professores, "cria condições adequadas de trabalho para atrair e reter os melhores e mais talentosos profissionais da área de educação." "É uma forma de a educação evoluir evitando desperdícios. Quem critica segue uma lógica corporativista e expõe uma visão atrasada no debate educacional. Não existe atividade humana que avance sem gestão nem meritocracia. Ao mesmo tempo é preciso investir mais nas escolas e alunos com os piores desempenhos, isso é um approach de cidadão, de inclusão", avalia Lucchesi. A 11ª recomendação do estudo da CNI que será entregue aos presidenciáveis também aborda o papel do setor privado para o desenvolvimento da educação brasileira. "As empresas precisam se engajar mais na formação das pessoas. É preciso atrair e reter talentos e treinar recursos humanos para as condições específicas da empresa e da sua cadeia de valor. Outro desafio é desenvolver políticas de promoção contínua do conhecimento, inclusive para as pessoas em idade adulta e maduras, de forma a atualizá-las com as novas tecnologias, motivá-las e adiar a queda da produtividade", informa o documento. (Valor Econômico) Julho de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
Lei obriga escolas a exibirem filmes brasileiros
Agora é lei. As escolas brasileiras terão de exibir filmes nacionais ao seus alunos. A obrigatoriedade já está em vigor, determinada pela Lei nº 13.006, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (27/6). O texto da lei ainda determina que serão exibidos um filme por mês durante o ano letivo.
“A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, duas horas mensais”, determina a Lei. A regra vale para todas as escolas do Ensino Fundamental, ou seja, até o 9º ano do antigo primário.
A nova Lei é assinada pela presidente Dilma Rousseff e pelos ministros da Educação, Henrique Paim, e da Cultura, Marta Suplicy. Na prática, a nova regra acrescenta o parágrafo 8º ao artigo 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Entre outros pontos que a música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular, assim como o ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais.
A lei ainda estabelece como obrigatório, o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
O autor do projeto, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), defende que a arte deve ser parte fundamental do processo educacional. Argumenta também, ao defender a proposta, que a criança que não tem acesso a manifestações artísticas usualmente se transforma em um adulto desinteressado por cultura e que, por conta disso, perde a chance de ter o “deslumbramento com as coisas belas”. Cristovam também defendeu que o cinema é a arte mais fácil para ser levada às escolas.
sábado, 7 de junho de 2014
Professor usa 'Lepo Lepo' em prova de filosofia
Ao abrir a prova aplicada na aula filosofia, uma das turmas do 1º ano do ensino médio de uma escola de Pedro Canário, no Norte do Espírito Santo, se surpreendeu ao ter que responder uma questão sobre a música "Lepo Lepo". Na questão, os alunos deveriam associar o trecho citado na avaliação a questões da sociedade no contexto atual. Assim como Valesca Popozuda em uma prova do Distrito Federal, o compositor da canção, o baiano Marcio Vitor, também foi citado como pensador contemporâneo pelo professor Maurício de Menezes Matos. A prova aconteceu nesta segunda-feira (4).
Nem gosto muito da música, mas está no dia a dia dos meninos e acabei utilizando, porque eles se identificam"
Maurício de Menezes,
professor
professor
Para Maurício, não há motivos para que os alunos tenham se surpreendido, já que um método de ensino "inusitado" é uma característica já conhecida do professor. "Eu trabalho sempre com algo diferente nas aulas de filosofia e história. Uso novas tecnologias, crio paródias, organizo gincanas e falo de assuntos polêmicos para estimular o pensamento crítico deles", explicou.
Ainda segundo o professor, a escolha da música não teve a ver com o gosto pessoal dele, que mesmo sendo de Salvador, disse não ser fã do ritmo. "Nem gosto muito da música, mas está no dia a dia dos meninos e acabei utilizando, porque eles se identificam. Se eu colocar uma orquestra sinfônica, eles dizem que é coisa de velho, algo ultrapassado. Dessa forma eu tento me aproximar deles, diminuir essa distância entre aluno e professor".
Opinião:
De
certa forma seja música, filme, documentário ou ate mesmo textos de pensadores
qualificados como grandes mestres por terem feito algo inovador, tudo vai
depender de como é utilizado pelo professor em sala de aula, a forma como a
didática dele é aplicado é o que vale e o qualifica como bom ou bobo. Em todas
as partes podemos fazer analises profundas do tema seja qual for não precisa
ser surreal para ser intelectual basta ser compreendido o como deve ser feito.
Para dar uma pequena mostra de por que meu ponto de vista é favorável ao uso
dos temas atuais e letras atuais têm essa charge onde expõe a visão oposta ao
uso normal e coloquial de letras. Vale salientar que nem sempre o bem os
GRANDES MESTRES foram aceitos e entendidos, o futuro é quem fica responsável
por definir títulos finais.
Falando nisso:
Castro AlvesNão foi só a inspiração criativa, nem tampouco a forma vigorosa da escrita e muito menos a solidariedade para com um Brasil pouco compreendido. O que Jorge Amado buscou no poeta abolicionista Castro Alves foi um modelo narrativo para pensar o país, a partir dos tipos populares celebrados no século XIX em poemas políticos como Navio Negreiro, produzido em plena luta contra a escravatura.
Castro Alves orientou sua poesia para a luta política de libertação dos escravos tanto por sua origem negra, de onde herdou a cor mulata, quanto pela necessidade de produzir uma obra artística que tivesse o rosto do Brasil esquecido. Uma obra relatada nas praças públicas de Salvador, na Bahia, pelo jovem poeta que não se contentava somente em escrevê-la, mas divulgá-la aos quatros cantos da cidade para lembrar o sofrimento dos irmãos escravos. Uma luta que durou enquanto suportou a vida, já que aos 24 anos morreu tuberculoso, pobre e esquecido.
A força interior, a integridade e o reconhecimento de sua origem deram a Castro Alves o título do maior poeta político do Brasil do século XIX ao lado do escritor Machado de Assis, também mulato que, no entanto, escondeu o quanto pode a sua origem. Jorge Amado seguiu a trilha deixada por Castro Alves ao optar retratar os tipos populares a partir de categorias universais de criação, mas no ambiente específico da região. Jorge Amado deixou que sua obra fruisse espontânea, sem origem literária, apenas pautada pela vontade de expor o Brasil a nú, o Brasil contraditório, o Brasil dos preconceitos sociais, tal como fez Castro Alves.
Fontes:
http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/jorge_amado/castro_alves.html
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/06/lepo-lepo-vira-questao-em-prova-de-filosofia-em-escola-do-es.html
domingo, 1 de junho de 2014
Monólogo das Mãos
Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões;
os remédios e os venenos;
os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes;
da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com as mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!
BIBI FERREIRA IN CONCERT III – POP
Agora um vídeo onde temos a interpretação de Bibi Ferreira no Programa do Jô
Beleza questão de gosto
A ditadura da beleza me levou a pensar sobre como podemos entender realmente o que é ser bonito, ser bonito nos dias atuais, é ser magro, com músculos, estão confundindo ser copias, com beleza, a beleza é saúde, é estar bem, é viver sua vida sem pensar no que outros acham de seu corpo, ser loiro, moreno, careca, isso não muda seu caráter, esse sim deveria ser um questionamento principalmente em época de eleição como estamos vivendo nesse ano, caráter: é um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes.
Esse ato de ter ou não ele deveria ser levado mais em conta, que se meu rosto está caindo, a gravidade é e sempre será a grande vencedora, viver sem ficar velho é algo impossível, podemos sim ter uma doce ilusão que não estamos velhos por que nossa embalagem ainda aparenta meia idade, mas afinal velhice é experiência, é ter autoconhecimento e entender o mundo em sua volta, a pele é algo que a cada dia tem fim, como todos teremos um dia.
Ditar qual o peso é ideal, que roupa devemos usar, que cor deve ser nosso cabelo, isso é se perder, não ter capacidade de ser alguém especial, nós humanos temos essa capacidade de ser único, não uma mera copia que reproduz atos e ações de algum famoso ou alguma pessoa popular. Ser ou não ser, é essa a grande engrenagem da vida humana.
Gosto desse vídeo por que expõe como a ditadura faz com que nossos sonhos não sejam nossos e sim um reflexo de algo que alguém sonhou por nós. Nunca viva sua vida em função do outro afinal nem sempre esse outro estará dentro de você, em algum momento ele vai e sua personalidade é o que permanece em sua infinita solidão do eu pensante.
Em uma rede social a Top brasileira Gisele Bündchen respondeu a perguntas de seus seguidores sobre uma possível cirurgia plastica no nariz que fez no começo da carreira: "Quando eu comecei a trabalhar, era muito jovem, tinha 14 anos e me achava meio estranha. Assim como tinham pessoas que gostavam de algo em mim, muitas achavam todos os tipos de defeitos, como meu peito e nariz, que eram considerados grandes para os padrões da moda. As críticas me deixavam triste, mas mudar o meu nariz ou qualquer outra coisa não era uma opção. Lembro que, na época, meu pai me disse: “Gisele, quem tem personalidade tem nariz grande e você tem muita personalidade”. Isso fez me sentir melhor. No final das contas, acredito que essas críticas foram uma benção na minha vida, pois me incentivaram a trabalhar duro, focar em outras qualidades que tinha, descobrir meus melhores ângulos e sempre dar o meu melhor. Percebi que a beleza física era e sempre será apenas uma questão de gosto."
Recomendo assistirem esse seriado da tv norte americana que tem como pano de fundo o consultório medico de dois cirurgiões e os pacientes sempre tem uma ligação com os dilemas que os dois vivem em suas vidas particulares, é ótima, é empolgante e cativante: NIP/TUCK
Um vídeo que produzi com algumas cenas resumindo momentos importantes do seriado, espero que gostem:
- Tell me, what you don´t like about yourself? (Me diga, o que você não gosta em si mesmo?)
Os fãs de Nip/Tuck eram mais do que acostumados a situações bizarras e improváveis. Mesmo assim, dava para ficar pensando: o que ainda eles podem inventar? Mas independente da personagem do dia, sejam gêmeas procurando identidade única, uma viciada em cirurgias plásticas, ou quem sabe uma prostituta com as chagas de Cristo, Sean e Cristian estavam sempre em suas cadeiras perguntando aos seus pacientes: Diga, o que você não gosta em si mesmo?
sábado, 31 de maio de 2014
Professor cria plataforma para celular e muda visão de alunos sobre filosofia
A relação entre um professor com ânsia de mudança no sistema de educação e alunos dispostos a ajudar revolucionou as aulas de filosofia de uma escola pública de Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia. Juntos, eles desenvolveram uma plataforma virtual para estudar a disciplina. Acessado por computador ou de qualquer aparelho de celular com acesso à internet, o sistema trouxe resultados surpreendentes e foi a solução para evitar o uso indevido de telefone na sala de aula. “Não tinha interesse nenhum pela filosofia. Mudou completamente minha visão e fez com que eu passasse a ver o mundo com outros olhos”, afirma o estudante Josué Ricardo Ferreira Gomes, de 17 anos.
Formado em filosofia, biologia, teologia e com especialização em direitos humanos, Gilberto Ramos Ribeiro, 39, é professor há quatro anos. Mesmo quando não lecionava, sonhava em mudar a forma de ensino. “A escola ainda é a mesma de 80 anos atrás. Essa concepção de escola cerceadora e arcaica me atormentava. Sabia que podia mudar isso”, afirma.
Um passo para essa mudança foi o desenvolvimento da plataforma. No site, os alunos são registrados e têm acesso ao tema de cada aula com antecedência. O professor disponibiliza textos e, ao final da leitura, os estudantes têm que responder um teste, que tem um tempo limite para ser feito, conforme a quantidade de perguntas. Às vezes, as respostas são objetivas e outras, dissertativas.
“Avalio o aluno por ali também. Extraclasse, ele tem que ler e responder às questões para ganhar nota. O dispositivo acusa quem fez ou não, por isso é exclusivo dos nossos alunos. Depois, em sala de aula, a gente discute o tema e faz outras atividades. Temos uma aula presencial por semana. Com o sistema, o tempo de estudo de filosofia quase triplicou”, explica Gilberto.
Mas, antes de desenvolver a plataforma, o professor tinha feito outras tentativas de usar a tecnologia a favor do aprendizado. A primeira delas foi a criação de uma página no Facebook. “Deu certo no começo, mas já não era o suficiente e lá os alunos misturavam com a vida pessoal. Assim não serve para o estudo”, afirmou.
No início deste ano, ele se mudou de Jaraguá (GO) para Nerópolis e passou a dar aulas de filosofia, biologia e espanhol no Colégio Estadual Dr. Negreiros. Foi onde ele teve a ideia de criar o sistema online.
Buscando práticas de educação que deram certo, Gilberto leu sobre uma plataforma criada por uma professora de uma escola particular do Rio de Janeiro: “Vi que se fizesse aqui poderia dar certo. Busquei a secretaria de educação, mas o processo é demorado, disseram que sairia caro e é um processo. Apesar do apoio moral, eu queria rapidez, queria isso o mais rápido possível”.
Iniciativa
A solução veio dos próprios alunos. Gilberto contou sobre a ideia em sala de aula e eles de dispuseram a ajudar. “Só estava esperando a oportunidade e a escola proporcionou isso. Consegui alunos que tinham capacidade para isso e se interessaram. Eles tomaram a iniciativa”, ressalta o professor.
Um dos quatro adolescentes que ajudaram a construir a plataforma, Cassiano Henrique Figueiredo Lima, de 16 anos, explica que eles gostam de computação, mas ninguém possui formação da área. “Cada um fez um pouco. A gente fez uma vaquinha de R$ 50 para pagar a hospedagem do site, o provedor”, diz o aluno. Em duas semanas, o sistema estava pronto.
Alunos interessados
A plataforma é direcionada aos cerca de 200 alunos que cursam o 3º ano do ensino médio, que se preparam para o vestibular. A coordenação do Dr. Negreiros se certificou que todos tinham acesso à internet. "Muitos não têm computador em casa, mas vimos que todos do 3º ano acessavam a internet pelo celular. Só uma aluna que não tem aparelho com essa capacidade, mas ela entra na plataforma com um colega ou pega o celular das professoras", explica a coordenadora pedagógica da escola, Maria Helena Rodrigues.
Primeiro a acessar a plataforma, o aluno Matheus Alves dos Santos, de 19 anos, é surdo, o que, para a coordenação do colégio, mostra a inclusão do projeto. Para Gilberto, o adolescente e os demais estudantes mudaram completamente a postura e a dedicação com o uso do dispositivo.
“Eles estão mais motivados, envolvidos, atentos. Filosofia era a matéria mais crítica, achavam chato, agora, falam no dia a dia de Immanuel Kant, Nietzsche e René Descartes. Eles passaram a acertar as questões brilhantemente. Tem que investir em tecnologia. O livro tem que ser adaptado ao aluno”.
O sistema também facilitou a vida do professor. “Não preciso implorar mais para eles estudarem. A aula é um grande debate filosófico. Facilitou a minha vida. Não perco tempo escrevendo as coisas no quadro ou dependendo de xerox”, relatou.
De problema a solução
O uso de celular em classe era um problema para a escola, pois os alunos acessavam as redes sociais ou assistiam a vídeos durante as aulas. Com a plataforma, o que era motivo de preocupação, se transformou em solução para incentivar o aprendizado. “O celular era um problema, os alunos não sabiam usar a favor deles. Desde que haja planejamento prévio, os professores têm usado o aparelho em aulas”, afirma a coordenadora pedagógica.
Trabalhando há 20 anos na unidade, a coordenadora conta que eles se surpreenderam com a rapidez do resultado. “Não tínhamos pensado que seria tão imediato o resultado. Tem facilitado, os alunos chegam na sala de aula com conhecimento prévio e também buscam além do que foi proposto”, explicou.
Para expandir o projeto, o professor já pediu à Secretaria Estadual de Educação que um técnico de informática ajude a desenvolver o site, adicionando mais aplicativos e tornando-o mais prático. “O site é muito básico ainda. Precisamos de um profissional da área de tecnologia para fazê-lo crescer”.
Gilberto acredita que no próximo semestre já será possível adicionar à plataforma o conteúdo das outras matérias que leciona. “Os próprios alunos querem. É o interesse pelo novo e atual. Alguns professores também já vieram falar comigo”.
Apesar de ser direcionada aos alunos do 3º ano, a página deve ser expandida a todos os estudantes. “A intenção é expandir para toda a escola. Estamos vendo pelo trabalho do professor que este é o caminho”, afirmou a coordenadora pedagógica.
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